Augusto Boal

Biografia




Augusto Boal (1931-2009) foi um dos dramaturgos que mais contribuiu para a criação de um teatro genuinamente brasileiro e latino americano. Desde os primórdios de sua carreira, no teatro de Arena, até o Teatro do Oprimido, técnica que o tornou mundialmente conhecido, passando pelas Sambóperas, sua preocupação foi a de criar uma linguagem que pudesse traduzir a realidade do seu país, uma maneira brasileira de falar, sentir e pensar. Essa preocupação imprime ao seu trabalho uma dimensão política e social, concebendo o teatro como instrumento de transformação alicerçada na temática e na linguagem. Todos os passos percorridos por Boal foram marcadas pelo seu espírito investigativo e sua preocupação política: o teatro como resposta às questões sociais; o teatro como meio de analisar conflitos e apresentar alternativas.


Carioca, nascido no bairro da Penha em 1931, desde criança Augusto Boal, escreve, ensaia e monta suas próprias peças nos encontros familiares. Sua formação em Engenharia Química acontece paralelamente à pesquisa e à criação de textos teatrais, que são, em geral, lidos e comentados por Nelson Rodrigues.


Muito jovem, viaja para os Estados Unidos, onde estuda na Columbia University, com John Gasner, e assiste às montagens do Actor’s Studio. Retorna ao Brasil em 1956, e, a convite de Sábato Magaldi e Zé Renato, dirige o Teatro de Arena de São Paulo. A companhia, fundada em 1951, provocou uma verdadeira revolução estética no teatro brasileiro dos anos 1950 a 1970.


Com a repressão pós-golpe de 1964 e, sobretudo a partir do AI-5 em dezembro de 1968, os militares passam a perseguir artistas e intelectuais . Boal é sequestrado , preso, torturado e, em fevereiro de 1971, exila-se em Buenos Aires, (1971-1976), Em Buenos Aires dirige o grupo El Machete e monta O Grande Acordo Internacional do Tio Patinhas, Torquemada (sobre a tortura no Brasil) e Revolução na América do Sul, todos de sua autoria. Nesse mesmo período, realiza diversas viagens por toda a América Latina, onde começa a desenvolver e utilizar novas técnicas que antecipam o “Teatro do Oprimido”: Teatro- Imagem, Teatro-Invisível e Teatro-Fórum.


Em 1976, se transfere para Lisboa, onde dirige o grupo A Barraca e, dois anos depois, é convidado para lecionar na Université de la Sorbonne . Em Paris, cria o Centre du Théatre de l ́Opprimé (1979). Antes de regressar definitivamente ao Brasil, monta no Rio de Janeiro O Corsário do Rei, de sua autoria (letras de Chico Buarque, música de Edu Lobo) e Fedra, de Racine, com Fernanda Montenegro.


Em 1986, de retorno ao Brasil, dirige a Fábrica do Teatro Popular, a convite de Darcy Ribeiro, então Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo era tornar a linguagem teatral acessível a todos, como estímulo ao diálogo e à transformação da realidade social. Nesse mesmo ano cria o Centro de Teatro do Oprimido – CTO, para difundir o Teatro do Oprimido no Brasil. No CTO-Rio, desenvolve projetos com ONGs, sindicatos, universidades e prefeituras.


No início da década de 1990, Augusto Boal é eleito vereador do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Na Câmara de Vereadores, entre 1993 e 1996, encaminha 33 projetos de lei, dos quais 14 tornam-se leis municipais.


Entre 1999-2001, Boal trabalha com as óperas Carmem e La Traviata, transformando-as em Sambóperas, experiência inovadora que traduz as músicas originais para ritmos genuinamente brasileiros. Uma de suas últimas pesquisas foi a Estética do Oprimido, programa de formação estética que integra experiências com o som, a palavra, a imagem e a ética.


Augusto Boal é autor de diversas obras literárias publicadas em vários idiomas, e recebeu, durante sua vida profissional, um arsenal extraordinário de prêmios e honrarias. Tendo em vista a multiplicidade e a diversidade das contribuições dadas por Boal à cultura brasileira, bem como o caráter revolucionário de suas ações, julgamos que o contato com a sua obra sempre servirá de estímulo para o aprofundamento das linhas de pesquisa por ele elaboradas ou sugeridas. Por essas razões, julgamos importante o conhecimento e a preservação de sua obra de modo a servir de estímulo e parâmetro para as novas gerações que se interessem pelo teatro.

Cronologia