1. 1930
  2. 1940
  3. 1950
  4. 1960
  5. 1970
  6. 1980
  7. 1990
  8. 2000
  1. 1931

    Augusto Pinto Boal nasce em 16 de março de 1931, no Rio de Janeiro, filho de Jose Augusto Boal e de Albertina Pinto, emigrantes portugueses que chegaram ao Brasil na década de 1920.

  2. 1941

    Infância de Boal no bairro da Penha, Rio de Janeiro, onde reside com a família e, a partir dos 10 anos, ajuda nas tarefas da Padaria Leopoldina, de propriedade de seu pai.

  3. 1941

    Boal começa a escrever textos teatrais, na sala de costura de sua mãe. Costuma encená-los com seus irmãos, atuando sempre como diretor.

  4. 1950

    Alguns desses textos curtos, inspirados em situações do seu bairro, tais como Maria Conga, Histórias do meu bairro e Martin Pescador, são submetidos à crítica de Nelson Rodrigues, de quem Augusto Boal se aproxima durante o seu tempo de estudante universitário.

  5. 1952

    Forma-se em Engenharia Química na Escola Nacional de Química, aos 21 anos.

  6. 1953

    Viaja para os Estados Unidos onde inicia o doutorado em Engenharia Química, com Especialização em plásticos e petróleo, na Columbia University of Nova York (CUNY). Paralelamente realiza estudos na School of Dramatic Arts, na mesma universidade, com John Gassner, e participa como aluno ouvinte das encenações do Actor´s Studio, de Lee Strasberg.

  7. 1954

    Em Nova York, Boal inscreve-se na Associação de Jovens Escritores (Writer´s Group) e recebe um prêmio pela sua obra Martin Pescador.

  8. 1955

    Estreia como diretor, no Marlin Theatre, em Nova York, com duas pequenas peças de sua autoria: O cavalo e o santo e A casa do outro lado da rua.

  9. 1956

    De retorno ao Brasil, é convidado por José Renato e Sábato Magaldi para integrar a direção do Teatro de Arena de São Paulo, companhia teatral de grande sucesso nas décadas de 1950 e 1960. Nesse mesmo ano, Augusto Boal inicia sua carreira como diretor teatral no Brasil, com a peça Ratos e Homens, de Jonh Steinbeck. Boal permanece no Arena até 1971.

  10. 1957

    Estreia no Brasil, como autor, com a comédia, Marido magro, mulher chata, sem sucesso comercial. Ainda em 1957, Boal dirige Juno e o pavão, texto de Sean O`Casey.

  11. 1958

    Dirige A mulher do outro, de autoria de Sidney Howard.

    O grupo do Teatro de Arena inicia uma fase de encenação de textos de autores brasileiros, com ênfase em cenas populares, conhecida como a fase nacionalista. O primeiro grande sucesso desse período é Eles não usam Black- Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por José Renato.

  12. 1959

    Na sequência, Boal dirige Chapetuba Futebol Clube, peça de Oduvaldo Viana Filho, também com sucesso de público, e cria um Seminário de Dramaturgia que funciona como espaço experimental para discussão de textos dos autores nacionais a serem encenados pelo Arena. Nesse mesmo ano, são apresentados Gente como a gente, de Roberto Freire, e A farsa da esposa perfeita, de Edy Lima, ambos com direção de Augusto Boal.

  13. 1960

    Realização de várias produções conjuntas entre os teatros Arena e Oficina. Boal dirige, com o elenco do Oficina, A engrenagem, de Jean Paul Sartre, adaptada por ele próprio e por José Celso Martinez Corrêa, e Fogo Frio, de Benedito Ruy Barbosa. Dirige também O testamento do cangaceiro, de Francisco de Assis;

    Ainda em 1960, José Renato dirige Revolução na América do Sul, texto de Augusto Boal que o consagra como um dos maiores dramaturgos do país.

  14. 1961

    Boal dirige Pintado de alegre, texto de Flávio Migliaccio.

  15. 1962

    Dirige de sua própria autoria, José, do parto à sepultura.

  16. 1964

    O teatro de Arena vive uma nova fase, conhecida como de nacionalização dos clássicos que, na concepção de Boal, consiste em “buscar e ressaltar em certos textos, o que existe de brasileiro neles”. Datam desse período, sob sua direção, as montagens de Mandrágora (1962), texto de Nicolau Maquiavel; O Noviço (1963), de Martins Penna; Um bonde chamado desejo (1963), de Tennesse Williams; O melhor juiz, o rei (1963), de Lope de Vega; e finalmente, Tartufo (1964), de Molière, com tradução de Guilherme de Figueiredo.

  17. 1965

    Após o golpe militar, que introduz a censura no país, Boal dirige, no Rio de Janeiro, o espetáculo Opinião, de autoria de Armando Costa, Oduvaldo Viana Filho e Paulo Ponte. Esse show, de conteúdo político que dá origem a um movimento politico e cultural do mesmo nome, conta com a participação dos interpretes: de Zé Ketti, João do Valle e Nara Leão, substituída, posteriormente, por Maria Bethânia.

  18. 1967

    Fase dos musicais, conhecida como fase dos heróis nacionais, que se caracteriza pela introdução de músicas brasileiras de importantes compositores, criadas para o espetáculo, e pela utilização do “sistema Coringa”, que consiste no revezamento dos atores no desempenho de diversos personagens. Nesse período, Boal e Guarnieri escrevem e encenam: Arena Conta Zumbi (1965), Tempo de Guerra (1965), Arena conta Tiradentes (1967) com direção geral de Boal e Arena Canta Bahia, texto e direção geral de Augusto Boal.

    Datam ainda desse período O Inspetor geral (1966), de Nicolai Gogol, com tradução de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, direção de Augusto Boal; O Círculo de Giz Caucasiano (1967), de Berthold Brecht, com tradução de Manuel Bandeira, direção de Augusto Boal; e a reapresentação de A criação do Mundo, segundo Ari Toledo (1967), com roteiro de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, direção musical de Carlos Castilho.

  19. 1966

    Primeira viagem de Augusto Boal a Buenos Aires, onde dirige no IFT, O melhor juiz, o Rei, de Lope de Veja e, nessa mesma viagem, A Mandrágora, de Maquiavel, na sala Planeta. Em Buenos Aires encontra Cecília e Fabian.

  20. 1968

    Primeira Feira Paulista de Opinião, realizada no Teatro Ruth Escobar. Concebida e organizada por Augusto Boal, a feira é, sobretudo, um ato de protesto contra a censura praticada pelo governo militar à cultura. Ela reúne textos de seis autores: O Líder, de Lauro César Muniz; O Sr. Doutor, de Bráulio Pedroso; Animália, de Gianfrancesco Guarnieri; A receita, de Jorge Andrade; Verde que te quero verde, de Plinio Marcos; e A Lua muito pequena e A caminhada perigosa, de Augusto Boal.

    Ainda em 1968, Boal traduz e dirige Mac Bird, de Barbara Garson e, em 1969, o espetáculo musical de sua autoria Chiclete com banana.

  21. 1969

    Boal escreve Bolivar, o lavrador do mar (Arena conta Bolivar).

  22. 1969

    Com o aumento da repressão política, após a assinatura do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968, o grupo do Teatro de Arena aceita o convite de excursionar pelos Estados Unidos, México, Perú e Argentina, reapresentando Arena Conta Zumbi. A grupo encena também Arena conta Bolivar, texto e direção de Augusto Boal, cuja exibição é proibida no Brasil.

  23. 1970

    Em setembro, de retorno ao Brasil, Augusto Boal monta o Teatro Jornal - 1ª edição, espetáculo criado el com base na leitura dos principais jornais da época.

    Nesse mesmo ano, Boal dirige A Resistível Ascensão de Arturo Ui, texto de Bertold Brecht, traduzido por Luiz de Lima e Hélio Bloch.

  24. 1971

    Em fevereiro, Boal é sequestrado, preso, torturado e, em seguida, parte para o exílio em Buenos Aires, onde reside por cinco anos (1971 - 1976).

    Antes, passa por Nova York onde realiza a Feira Latino-Americana de Opinião, pela qual recebeu o prêmio Obie Award (melhor espetáculo Off – Brodway). Ainda em Nova York encena com os alunos da New York University Torquemada, texto que denuncia a tortura no Brasil, escrito no período em que esteve preso.

    Em Buenos Aires, dirige o grupo de teatro El Machete; escreve e dirige O grande acordo internacional de Tio Patinhas, e reapresenta Torquemada e Revolução na América do Sul, ambos de sua autoria.

  25. 1972

    Reapresentação de Torquemada, no Teatro La Mama, em Bogotá, e no Teatro del Centro, em Buenos Aires.

  26. 1975

    Nasce Julián, filho de Boal e Cecília.

  27. 1976

    Ainda em Buenos Aires, antes de partir para Lisboa, escreve as adaptações de A tempestade, William Shakespeare, com foco na figura do Caliban, como símbolo de resistência dos colonizados; e Mulheres de Atenas, uma adaptação de Lisistrata, de Aristófanes, com música de Chico Buarque.

    Augusto Boal passa a residir em Lisboa onde dirige o grupo A Barraca.

  28. 1977

    Em Lisboa, encena Zumbi, Barraca conta Tiradentes e Ao Qu’isto chegou: Feira portuguesa de Opinião; conclui o texto de Murro em Ponta de Faca, iniciado ainda em Buenos Aires.

  29. 1978

    Murro em ponta de faca é apresentado pela primeira vez no Brasil, em São Paulo, pela Companhia de Othon Bastos. Dirigida por Paulo José, a peça aborda a vida dos exilados políticos fora do país.

  30. 1979

    Boal é convidado para lecionar na Université de la Sorbonne, em Paris; cria o CEDITADE - Centre d`Études et de Diffusion des Techniques Actives d´Expression, depois conhecido como Centre du Theâtre de L´Opprimé.

    Dirige, em Paris, Murro em ponta de faca.

  31. 1980

    No âmbito do CEDITADE, escreve peças para o Teatro Foro como: La surprise; La coherence; Comme d´habitude; L´anniversaire de la mère; O dragão esverdeado e a família surda; e Le nouveau badache est arrivé.

  32. 1981

    Augusto Boal recebeu a condecoração do governo francês, Officier des Arts et des Lettres.

    Dirige Nada más a Calingasta, de Júlio Cortázar, no Schauspielhaus de Graz, na Áustria.

  33. 1982

    Dirige Murro em ponta de faca, de sua autoria, em Graz, Áustria.

  34. 1983

    Apresentação de Arena conta Zumbi, no Schauspielhaus de Graz, na Áustria.

    Dirige Erendira, de Gabriel Garcia Marques, no Theâtre National Populaire de Paris, com a participação de Marina Vlady.

  35. 1984

    Dirige em Nuremberg, na Alemanha, La Malasangre, de Griselda Gámbaro.

  36. 1985

    Monta no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, O corsário do Rei, de sua autoria, com música de Edu Lobo e letras de Chico Buarque.

  37. 1986

    Boal dirige no Teatro de Wupperthal, na Alemanha, Das Publikum (El Público) de Frederico Garcia Lorca.

    Retorna definitivamente para o Brasil e, nesse mesmo ano, dirige Fedra, de Jean Racine, no Teatro de Arena do Rio de Janeiro, com Fernanda Montenegro no papel principal.

    Ainda em 1986, dirige a Fábrica do Teatro Popular a convite do então Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro.

    Cria o Centro do Teatro do Oprimido – CTO, visando difundir as técnicas do Teatro do Oprimido no Brasil.

  38. 1987

    Dirige La Malasangre, de Griselda Gambaro, no Teatro Vannuci, no Rio de Janeiro.

  39. 1989

    Adapta e dirige Encontro marcado, de Fernando Sabino.

  40. 1990

    Conclui a novela O suicida com medo da morte, publicado pela Civilização brasileira em 1992.

  41. 1992

    Augusto Boal é eleito vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT), do Estado do Rio de Janeiro. Dos 33 projetos encaminhados por ele à Câmara dos Vereadores, 14 tornam - se leis municipais (1992 - 1996).

    Na Câmara, criou o teatro legislativo, no qual seus assessores de Gabinete são ao mesmo tempo “coringas” do TO (Teatro do Oprimido). Nesse período, 50 grupos de teatro são formados em favelas, sindicatos e igrejas.

  42. 1993

    Acontece, no Rio de janeiro, o 7° Festival Internacional do Teatro do Oprimido, com a participação de 12 países.

  43. 1994

    Augusto Boal recebe da UNESCO, a medalha Pablo Picasso.

  44. 1998

    Boal escreve duas comédias que ele classifica como “bulevar macabro”: Amigo Oculto e A herança maldita.

  45. 1999

    No final do século XX, Boal inicia uma experiência de abordagem de óperas tradicionais, utilizando ritmos brasileiros, denominada por ele de sambóperas. Em 1999 estreia Carmem, de Bizet. Escrita em parceria com Celso Branco, o espetáculo tem a direção musical de Marcos Leite. Em 2001, realiza uma nova experiência com La Traviata, também em parceria com Celso Branco, e com direção musical de Jayme Vignolli.

  46. 2000

    Amigo Oculto estreia no Rio de janeiro, sob a direção de Marilia Pera.

  47. 2007

    A herança maldita, escrita por Boal em 1998, foi montada pelo grupo A Barraca, com o qual Boal trabalhou durante seu período de residência em Lisboa. A peça estreou em 2007, dirigida por Helder Costa.

  48. 2009

    Pouco tempo antes de sua morte, Augusto Boal é nomeado “Embaixador do Teatro”, pela UNESCO.

  49. 2009

    Boal escreveu diversos livros que foram traduzidos em vários idiomas, além de ter colecionado títulos, prêmios e honrarias durante sua trajetória.